Descobertas em Israel e na Dinamarca revelam novos capítulos da evolução humana e da era viking - Antena Web Notícias


2026-07-05 13:49 por Carlos Nhabetse

Duas importantes descobertas arqueológicas, realizadas em Israel e na Dinamarca, estão a fornecer novas evidências sobre diferentes períodos da história da humanidade. Enquanto uma gruta preservada durante cerca de 400 mil anos poderá esclarecer a evolução das populações que antecederam os neandertais, um complexo artesanal viking com cerca de mil anos revela uma economia muito mais organizada e sofisticada do que se imaginava.

No norte de Israel, uma equipa de arqueólogos descobriu uma gruta pré-histórica praticamente intacta nos arredores da localidade de Fureidis, próximo do entroncamento de Zichron Yaakov. O local permaneceu selado durante centenas de milhares de anos, preservando ferramentas de pedra, ossadas de animais e outros vestígios que oferecem uma rara oportunidade para compreender a vida das populações humanas do Paleolítico Inferior.

As escavações são conduzidas por investigadores da Autoridade de Antiguidades de Israel e da Universidade de Haifa, liderados pelos arqueólogos Kobi Vardi e Amit Gabay, com a colaboração do professor Ron Schimmelmitz. Os cientistas consideram a descoberta uma das mais importantes das últimas décadas para o estudo da evolução humana no Levante.

Os vestígios pertencem à cultura Acheulo-Yabrudiana, desenvolvida entre aproximadamente 400 mil e 250 mil anos atrás. No interior da gruta foram encontrados machados de mão, raspadores, lâminas de sílex, ossos de cavalos, veados, antílopes e asnos-selvagens, além de evidências do uso controlado do fogo e de ocupação prolongada, sugerindo formas mais estáveis de organização social e tecnológica.

Embora ainda não tenham sido encontrados restos humanos, os investigadores acreditam que o sítio poderá fornecer informações decisivas sobre as populações que viveram antes da expansão dos neandertais e do Homo sapiens. Para proteger o património arqueológico, as autoridades israelitas decidiram alterar um projeto de construção, prevendo a edificação de uma ponte sobre a gruta para permitir a continuidade das investigações.

Entretanto, na Dinamarca, escavações realizadas na localidade de Søften, na  região da Jutlândia Central, revelaram um dos maiores complexos artesanais conhecidos da era viking. O sítio arqueológico, datado entre os séculos VII e X, ocupa cerca de 100 mil metros quadrados e inclui 82 casas semi-enterradas que, segundo os arqueólogos, funcionavam como oficinas têxteis especializadas.

Os investigadores encontraram centenas de pesos de tear, fusaiolas, contas de vidro e outros instrumentos que demonstram uma produção têxtil em larga escala, muito superior às necessidades da comunidade local. A disposição das oficinas indica a existência de divisão de trabalho e de um elevado nível de organização produtiva.

As escavações também revelaram moedas provenientes do Médio Oriente, da atual França e da atual Alemanha, evidenciando que os vikings participavam de extensas redes comerciais internacionais. A proximidade do antigo centro comercial de Aros facilitava o transporte e a distribuição dos produtos fabricados.

Segundo o historiador Kasper H. Andersen, do Museu Moesgaard, a descoberta reforça a ideia de que a sociedade viking possuía uma economia altamente desenvolvida, contrariando a visão tradicional que a descreve apenas como um povo guerreiro.

As duas descobertas, embora separadas por centenas de milhares de anos, oferecem novas perspetivas sobre a evolução das sociedades humanas, demonstrando que tanto as primeiras comunidades pré-históricas como os vikings desenvolveram formas complexas de organização, tecnologia e adaptação ao meio.

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Palavras-chave: Israel, Dinamarca, Søften, Fureidis, arqueologia, evolução humana, pré-neandertais, era viking, cultura Acheulo-Yabrudiana, gruta pré-histórica, oficinas têxteis, comércio viking, Paleolítico Inferior, património arqueológico

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